Proteja seus ouvidos
02/06/2010 - Ouvidos A exposição constante a ruídos ou sons altos leva à perda de audição cumulativa e irreversível, especialmente se começar na infância. Mais de 15 minutos de exposição a 100 decibéis é considerado perigoso. Em tempos de Copa do Mundo, é bom lembrar que o ruído em um estádio de futebol pode atingir até 130 decibéis. Estudos demonstram ainda outras conseqüências do excesso de ruído, como aumento da pressão arterial, da vasoconstrição e dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, além de aumentar o risco de infarto. Mesmo acostumados mentalmente com um nível alto de ruído, estas alterações fisiológicas persistem. Por exemplo, durante o sono, o barulho de aviões próximo a um aeroporto causa aumento dos sinais de estresse, mesmo se o indivíduo não acordar. Níveis moderados de ruído, como aquele produzido por máquinas da linha branca (geladeiras, máquinas de lavar e secar, aspirador, etc.), ar condicionado e televisão podem afetar a aquisição de linguagem das crianças. Já há muito tempo alerta-se para o perigo do volume alto de Walkmans e iPods, mas agora especialistas acreditam que mesmo volumes razoáveis diretamente nos ouvidos por muitas horas podem afetar nossa audição.
Se o barulho é potencialmente perigoso para adultos, o risco é muito maior para as crianças. O canal auditivo na primeira infância é menor do que nas crianças mais velhas e nos adultos e o seu menor comprimento aumenta os níveis danosos dos ruídos de alta freqüência. A nossa conscientização sobre o problema do excesso de barulho é pobre. Mesmo que saibamos do prejuízo do som excessivo em concertos de música ou em outras situações, é raro o uso de protetores de ouvidos como solução, especialmente para crianças. Talvez porque estes protetores tenham o mesmo estigma de velhice dos aparelhos de audição.
Em um mundo cada vez mais barulhento, o silêncio tornou-se um luxo. Pagamos por ele quando vamos a um spa. A antiga idéia de áreas de silêncio em torno de hospitais hoje está validada por estudos que relacionam silêncio e cura. Outros estudos mostram que a meditação silenciosa aumenta a capacidade de concentração. Professores capazes de introduzir o silêncio em sala de aula melhoram a capacidade de aprendizado e reflexão dos seus superestimulados alunos. Reduzindo o ruído, promovemos saúde e preservamos a nossa audição para seguir escutando os verdadeiros sons do mundo que habitamos: pássaros, água, passos, vozes, chuva, vento...